09 de janeiro de 2026 – VentoNews – 4 minutos de leitura.
O Novo Processo de Importação (NPI) representa uma das maiores transformações já realizadas no comércio exterior brasileiro.
Com a implementação da DUIMP e a consolidação do Portal Único Siscomex, o modelo de importação deixou de ser baseado em descrições livres e passou a operar sobre dados estruturados, padronizados e reutilizáveis.
Imprensa: VentoNews
Nesse contexto, as alterações nos atributos vinculados às NCMs tornaram-se um dos pontos mais sensíveis da operação. Trata-se de um tema técnico, mas com impactos diretos no tempo de desembaraço, nos custos logísticos e na previsibilidade das importações.
Este artigo aborda como as mudanças nos atributos do NPI afetam a obrigatoriedade e a gestão do Catálogo de Produtos no Portal Único, além das boas práticas para reduzir riscos operacionais.
O que mudou com o Novo Processo de Importação?
Antes do NPI, a caracterização da mercadoria ocorria, em grande parte, por meio de descrições textuais livres na Declaração de Importação (DI). Esse modelo permitia interpretações distintas para um mesmo produto e dificultava a análise automatizada pelos órgãos anuentes.
Com a DUIMP, o governo adotou um padrão de dados muito mais rigoroso. Agora, a mercadoria é definida por meio de:
Nesse novo modelo, a NCM deixou de ser apenas um código classificatório e passou a funcionar como o elemento que determina quais informações técnicas devem ser prestadas.
O papel dos atributos no Portal Único
Os atributos são campos estruturados que descrevem a mercadoria em nível técnico. Eles variam conforme a NCM informada e refletem exatamente quais dados o governo precisa para analisar a operação.
Entre os exemplos mais comuns de atributos estão:
Cada atributo possui regras claras de preenchimento, com formatos, unidades de medida e valores esperados. Não se trata de campos livres.
Alterações nos atributos: por que esse ponto é crítico?
Um dos principais alertas trazidos por entidades como a ABECE é que a tabela de atributos do NPI não é estática. Ela sofre atualizações periódicas, motivadas por:
Isso significa que uma NCM que hoje exige determinado conjunto de atributos pode, amanhã, passar a exigir informações adicionais ou diferentes.
Na prática, um produto corretamente cadastrado no passado pode se tornar incompleto ou inconsistente, sem que a empresa perceba, até o momento da análise da DUIMP.
Impacto direto no Catálogo de Produtos
Com a DUIMP, o Catálogo de Produtos tornou-se o repositório central de dados técnicos da importação. É a partir dele que as informações são reaproveitadas em múltiplas declarações.
Quando os atributos vinculados às NCMs sofrem alterações, o impacto é imediato:
Por isso, a obrigatoriedade do Catálogo não está apenas no seu uso inicial, mas na manutenção contínua e governada das informações.
NCM e atributos: uma relação indissociável
No NPI, a NCM funciona como o gatilho que define:
Um erro na classificação fiscal contamina toda a estrutura de dados. Atributos incompatíveis com a NCM geram alertas automáticos, exigências e, em muitos casos, o travamento da DUIMP.
Por isso, a classificação fiscal correta deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser um requisito crítico para a fluidez da operação.
Principais riscos associados a atributos desatualizados
As alterações nos atributos trazem riscos que nem sempre são visíveis de imediato. Entre os principais estão:
Grande parte dessas ocorrências não decorre de erro conceitual, mas da falta de atualização contínua do Catálogo de Produtos.
Gestão manual x gestão estruturada do Catálogo
Enquanto o volume de produtos é pequeno, muitas empresas ainda tentam gerenciar o Catálogo de forma manual, seja diretamente no Portal Único ou com apoio de planilhas.
Com o crescimento da operação, esse modelo se torna insustentável. As limitações são claras:
No contexto do NPI, o Portal Único não foi concebido como uma ferramenta de gestão em larga escala, mas como um canal declaratório.
A importância da governança de dados no NPI
Empresas mais maduras já entenderam que o Catálogo de Produtos não é apenas um requisito operacional, mas um ativo estratégico de governança.
Uma gestão estruturada do Catálogo permite:
Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser um pilar da operação.
Conclusão
As alterações nos atributos do Novo Processo de Importação reforçam uma mudança estrutural no comércio exterior brasileiro: a transição definitiva para um modelo orientado por dados.
Nesse novo ambiente, a fluidez da DUIMP depende diretamente da qualidade do vínculo entre NCM e atributos no Catálogo de Produtos. Classificação fiscal correta, preenchimento técnico consistente e atualização contínua deixaram de ser boas práticas e passaram a ser condições essenciais para a previsibilidade da operação.
Empresas que tratam o Catálogo de forma fragmentada ou manual tendem a enfrentar exigências recorrentes, atrasos e custos invisíveis. Já aquelas que investem em governança de dados e estrutura conseguem operar o NPI com mais segurança, eficiência e escala.
Em um cenário regulatório dinâmico, a previsibilidade nasce da qualidade da informação e o Catálogo de Produtos é o centro dessa estratégia.
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Fonte: VentoNews
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